Coisas que deveria dizer e não digo. Desabafos. Desvaneios. Desejos. Indignações. Frustrações. Recordações. Decisões. Enfim... Monólogos na almofada!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A caganeirice dos títulos académicos
sexta-feira, 1 de abril de 2011
avaliação, para que te quero!
Durante 18 anos de escola, tive excelentes professores, professores muito bons, bons, assim-assim, e outros que nunca percebi porque tinham a designação de “professor”. Por isso, sempre fui acérrima defensora da avaliação, porque mesmo que injusta e imperfeita (porque não há modelos de avaliação perfeitos), antes uma imperfeita que a ausência dela.
Hoje ouvi no canal AR TV, na Comissão de Educação e Ciência, um Seminário sobre a avaliação do desempenho docente. Durante 40 minutos procurei ouvir vários pontos de vista. Das 10 intervenções que ouvi, 9 deixaram-me com medo de, no futuro, ter filhos meus na escola: a avaliação só deve ser utilizada para a progressão na carreira dos professores??? [então e a melhoria do ensino em Portugal, que se lixe?]; dentro da avaliação das escolas, os professores devem ser avaliados, mas nunca classificados [mas há avaliação sem classificação, seja ela quantitativa ou qualitativa?]; “se a avaliação foi suspensa, porque é que a minha escola, e outras, continuam a manter o modelo em funcionamento?” [esta senhora professora, deve-se ter esquecido que as leis só entram em vigor depois de publicadas em Diário da República! É só cultura geral!]; os professores em vez de trabalharem uns com uns outros, trabalham uns contra os outros [realmente, muitos membros desta classe são incapazes de trabalhar em equipa].
Apenas uma única professora, Inês Castro, – a única que ouvi até hoje – defendeu manter a avaliação e considerou a decisão da assembleia da república em suspender o modelo de avaliação uma decisão que “não lembra ao diabo”. Todos os outros "oradores" congratularam a decisão, só ela a considerou absurda, não só porque se está a 4 meses do final do ano lectivo, mas também porque considerou que a mesma “não prestigia o ensino”. Não prestigia porque a fizeram alegando ser “o problema central dos professores”, quando os problemas centrais são os cortes salariais, a não mudança de escalão, as condições de trabalho, a precariedade para os professores contratados ou a formação insuficiente para as necessidades do dia-a-dia. (se bem que, a minha opinião, este último problema não pode ser resolvido enquanto se continuar a querer acumular horas de formação em muita coisa e em coisa nenhuma, não para se melhorar o desempenho profissional, mas para se progredir na carreira).
No dia-a-dia, estas são também as preocupações de que os oiço falar. Mas então porque é que nas mega-manifestações só os oiço falar da burocracia da avaliação?
Tenho pena, muita pena mesmo que, no final do magnífico, sincero e desprendido de interesses pessoais, discurso daquela professora, só se tenha ouvido meia dúzia de pessoas a bater palmas. Serão os únicos, no meio de toda aquela gente, genuinamente interessada e preocupada com o estado do ensino em Portugal?