Desde que me apareceu o período pela primeira vez, sempre
fui certinha como um relógio. Assim o fui até de iniciar a pílula, assim fui
durante os anos em que a tomei, e assim tenho sido desde que a interrompi para
engravidar. A ansiedade tem andado ao rubro desde o início do ano, pela indefinição
do meu futuro profissional e, apesar de tal nunca ter influenciado o meu “relógio
mestrual”, sempre pensei que influenciaria o conseguir engravidar. Até ao mês
passado, em que, pela primeira vez nos últimos 15 anos, ele se atrasa pela
primeira vez… uma semana! Uma semana! Aos primeiros dias sente-se desconfiança
e uma certa ansiedade, sempre à espera de não o ver aparecer e, inevitavelmente,
à medida que os dias vão passando e nem sinal, a esperança vai crescendo de uma
forma avassaladora. Como sou muito terra-a-terra, vou trabalhando mentalmente
os meus pensamentos para não criar demasiadas expectativas, questionando até
mesmo os outros sintomas sentidos semelhantes ao de uma gravidez. A ansiedade (e uma
alegria inocente) cresce à medida que os dias passam e que se fazem as leituras
de outras experiências. Ao fim de uma semana, e uma hora depois de se comprar o
teste de gravidez, o cabrão aparece… e o desapontamento instala-se. Ainda não
foi desta.