domingo, 6 de fevereiro de 2011

A guerra não se conta

Hoje estive a ver a Grande Reportagem da SIC, sobre a Guerra Colonial. Sei que existiu não só por a ter dado na escola, mas por o meu pai ter sobrevivido a ela. Cresci a ouvi-lo muitas vezes falar da Guerra. Uma Guerra para onde foi obrigado e contrariado, por não a entender nem com ela concordar. Mas teve que ir, que antes do 25 de Abril não havia voto na matéria, fosse ela qual fosse. Ouvi-o e oiço-o muitas vezes falar das coisas boas, das peripécias, da camaradagem, de como ocupavam os dias lá no fim do mundo mas, por vezes, também das missões e emboscadas, das quais não fala em pormenor, talvez porque, como disseram na reportagem “a guerra não se conta”.

(In)Felizmente, foi para lá já nos últimos anos e, pelo que conta, o pior já tinha passado. Ainda assim, recorda e partilha, com as palavras e com o olhar, muitas coisas que viveu, com emoção e por vezes com uma certa dor…. “uma dor que cá fica” como diz um ex-combatente no final da reportagem. A dor do que viveram e do esquecimento a que os ex-combatentes foram votados. Como o meu pai uma vez disse “os felizmente poucos problemas físicos que tive, já estão debelados, mas os traumas psicológicos...esses apenas morrerão comigo!”

A guerra é uma dor para quem a viveu, mas também para quem vive com quem viveu a Guerra. A dor de não lhes poder tirar essa dor da alma.

2 comentários:

mcnulty disse...

andamos a investir na escrita dos posts... gostei.

da vivência continuo a achar que depende muito da forma como se "vai" para determinada "coisa".

jovens, mal preparados, obrigados, desinformados, de certa forma mesmo ignorantes sobre o que é o mundo, arrancados da pacatez lusa... conta muito.

AngeliC disse...

mcnulty... tens muita razão no que dizes. O problema é que nunca ninguém se preocupou com a forma com que os soldados iam para a guerra e, muito menos, como vinham dela. Isso é que entristece os corações de quem conseguiu vir, dos seus familiares e dos familiares dos que lá ficaram.